A Associação Empresarial de Vila Verde (AEViVer) liderou uma visita de negócios a Moçambique com um grupo de sete empresários do concelho, cobrindo diferentes áreas de atividade. A iniciativa permitiu concretização de negócios diretos, a formação de empresas e o estabelecimento de novas ligações económicas entre unidades industriais dos dois países. Em entrevista ao Jornal OVilaverdense, o presidente da associação, José Morais, faz o balanço da iniciativa, anuncia projetos para o futuro e fala dos apoios que a AEViver presta aos empresários. José Morais aborda também a questão da sede e salienta que está mais preocupado com o apoio às empresas do que com instalações.

Jornal O Vilaverdense: Qual o balanço genérico desta missão a Moçambique?

José Morais: Esta missão a Moçambique tinha um objetivo muito claro: promover negócios para as empresas. E posso-lhe dizer que venho de lá com o dever demissão cumprida. Abdiquei da minha vida profissional e pessoal, mas valeu a pena. Todos os empresários formalizaram negócios, uns mais do que outros. Foi criada uma empresa moçambicana com capitais 100 porcento vilaverdenses, estabeleceram-se muitas parcerias que estão a gerar encomendas, uma das empresas que está a vender para Moçambique contratou no início deste mês funcionários para poiar logisticamente essa internacionalização. Quer eu, quer os meus colegas de direção da AEViver, sentimos uma enorme realização pelo facto de termos ajudado estas empresas. Sentimos que este é o caminho.

Têm vindo a estabelecer contactos com outros pontos do Globo, Timor e China concretamente. Em concreto, o que está alinhado nestes contactos internacionais?

Moçambique é um mercado para empresas com sentido de empreendedorismo, que querem trabalhar esse mercado, não para empresas que se vêm obrigadas a sair de Portugal devido à retração do mercado. Já Timor e China são mercados, também difíceis, mas que podem ser trabalhados a partir de Vila Verde, com exportação de produtos. Essa é a nossa linha de orientação. Porque nem todos têm capacidade de internacionalizar empresas, deslocar meios e instalarem--se num pais a 9.000 quilómetros de distância, mas enquanto associação temos de defender todos por igual. O pequeno comerciante, que produz olaria ou que comercializa carne biológica e enchidos, os produtores de vinho, azeite, etc. podem ver na exportação a tábua de salvação das suas empresas. Estamos atualmente a negociar com uma cooperativa chinesa a possibilidade de comercialização de produtos biológicos, como carne de vaca e frango, azeite, vinhos, queijos, etc. O objetivo é que a AEViVer faça a união entre muitos pequenos comerciantes e essa cooperativa. Acredito que isso pode ajudar muitas empresas que estão com dificuldades em encontrar compradores para os seus produtos.

Um empresário Vilaverdense que queira estabelecer contactos com mercados internacionais que tipo de apoio pode receber da AEViver?

O empresário deve acima de tudo definir uma estratégia de internacionalização. Se pretender instalar a empresa, em Moçambique pode faze-lo sem sequer se deslocar ao país. Embora deva fazê-lo porque deve sentir o país, sentir a gente. Se por ventura procura encontrar um parceiro de negócios, a associação no âmbito do protocolo que tem com a AlMO – Associação Industrial de Moçambique tem capacidade logística de colocar essa empresa em contacto com associados da AlMO onde eventualmente pode encontrar essa parceria. Existem muitos outros contactos institucionais além da AlMO que foram agora aproveitados e cujos resultados estão à vista. O Dr. Sérgio Alves é um desses contactos.

Está mais alguma missão internacional programada para os próximos tempos?

 Sim, Moçambique ainda antes do verão. Com vários objetivos, um deles formalizar outra empresa com capitais vilaverdenses e arrancar com um projeto agropecuário. Depois do sucesso desta última viagem temos recebido vários pedidos de empresários de Lisboa, Porto, Braga e obviamente de Vila Verde a pedir apoio na internacionalização das suas empresas. A nossa prioridade é apoiar os nossos associados. Somos muito bairristas e centramos toda a nossa atenção nas empresas do concelho. A nível Interno, quando avança o projeto de instalação da vossa sede? Para ser sincero, neste momento isso é o que menos me preocupa. Quando se faz um bom trabalho, quando efetivamente se ajudam as empresas, quando se presta serviço associativo como o que a AEViVer presta, e os empresários já perceberam isso, um site onde se podem ler todas as notícia se convocatórias, uma boa comunicação por email e telefone é quanto basta para estarmos em sintonia comas empresas associadas. Temos que ser uma mais-valia e não um encargo para os nossos associados. Pessoalmente, vejo com muita apreensão os exemplos da nossa região onde existem associações com grandes sedes, muito pomposas, mas existem também grandes problemas, nomeadamente financeiros. Enquanto for presidente da associação a nossa missão é muito clara: ajudar as empresas, criar novos postos de trabalho e, com isso, dinamizar a economia local. Tudo o resto é secundário e será resolvido quando as partes envolvidas assim o entenderem.

Em números, traduza a AEViver (n° associados, n° de contactos para negócios, n° de investimentos, n° ações...)

E esse um dos problemas do associativismo em Portugal. Associações que se preocupam com números internos quando se devem preocupar com as empresas. Respondendo à sua pergunta, consigo-lhe traduzir a AEViVer em ‘alma’. Tudo o que fazemos é feito com muita alma, muito empenho, muita paixão e dedicação. Temos uma direção composta por gente com personalidades diferentes mas que trabalha e está unida nessa causa. Estamos juntos e os números que nos preocupam são os de todas as empresas do concelho, grandes e pequenas. Queremos números altos no volume de negócios das empresas associadas e um grande número de empregos criados em Vila Verde. Por isso, mesmo no iníciode Março, promovemos na Vila de Prado uma sessão de esclarecimento junto dos pequenos comerciantes locais, com vista à apresentação de programas de apoio comunitário que sobrelotou a sala que tínhamos preparada. São esses os números da AEViVer.

Manuel Alfredo Oliveira

 



O jornal O Vilaverdense ouviu quatro dos participantes na missão empresarial a Moçambique. Alberto Alves, Tiago Almeida, Horácio Ferreira e Jorge Pinheiro falaram da experiencia, explicaram os objetivos que tem para aquele mercado africano e dão as suas opiniões sobre a internacionalização.

1- Que resultados concretos trazem da missão a Moçambique?

2-Moçambique e os países lusófonos são mercados apetecíveis? Porquê?

3-Que conselhos deixam a outros empresários que queiram apostar neste ou noutros mercados internacionais?

Alberto Alves, Cervães, empresa ASA PEDREIRAS, IDA(Extração de Inertes)

1 - A missão empresa rial a Moçambique, lide rada superiormente pela AE VI VER e em particular pelo seu presidente José Morais, proporcionou uma experiência mui to enriquecedora sobre este mercado tão especial para nós portugueses. Depois de inúmeras reuniões e contactos com pessoas influentes no sistema estatal e empresarial moçambicano, estabelecemos uma parceria com um grupo económico local, para a instalação de uma central de britagem de inertes em Tete. No âmbito desse contrato/parceria com uma das maiores construtoras moçambicanas, estimamos um volume de negócios anual na ordem dos 5 milhões de euros. Esta oportunidade vai ainda permitir a criação de cerca de 30 postos de trabalho.

2- Moçambique é um mercado apetecível, tem um clima fantástico com praias lindíssimas que poderá ter no turismo um sucesso incalculável, tem na agricultura condições para produzir vários produtos duas vezes por ano. Tem na zona norte do país áreas enormes de exploração de carvão, foi descoberto recente- mente grandes áreas de gás natural, tem produção de algodão, café, tem uma costa com o melhor marisco do mundo, etc. Deixo aqui alguns pontos que no meu entender vão fazer deste país uma grande potência económica dentro de poucos anos.

 3 - No meu entender tem que ser abordado com uma visão diferente da que estamos habitua dos a lidar no nosso mercado nacional. É um destino onde o investimento é uma incógnita muito grande, poderá ser um mercado de milhões para muitas empresas mas que poderá ter o reverso da medalha e poderá ser o fracasso para muitas outras empresas. Para haver sucesso é muito importante que as em presas se juntem a instituições conhecedoras do mercado moçambicano, como foi no meu caso a AEViVer.

 

Tiago Almeida, Esqueiros, empresa ZENIT AUTOMOVEIS, IDA (Desmantelamento de Veículos em Fim de Vida)

1 - Estabeleci um excelente contacto com uma empresa de Maputo que opera na minha área de negócio. Neste mo mento, continuamos em negociações com uma empresa moçambicana tendo em vista levar o nosso conhecimento e tecnologia para Moçambique participando dessa forma no seu capital social. Espero com Isso au mentar o nosso volume de negócios e das duas empresas africanas.

2 - Na minha opinião, a língua e a longa tradição que as nossas empresas têm com Moçambique são as principais razões. Trata-se de uma economia emergente com elevados índices de crescimento e Portugal tem uma presença importante no país, podendo ser um dos maiores investidores estrangeiros em Moçambique. São muitos os sectores atrativos e as oportunidades de negócio, os que registam maior investimento são o agrícola, seguido do turismo, recursos minerais e energia.

3 - O que posso dizer, por experiência própria, é que é preciso ir lá, conhecer a cultura e o povo moçambicano. Perceber o funcionamento do país ajuda a esclarecer dúvidas e a encontrar soluções para os possíveis problemas que possam surgir. Apercebi-me, por exemplo, que existe escassez de mão-de-obra qualificada e as infraestruturas (transportes, saneamento e energéticas) são deficitárias. Outra questão importante é estabelecer contactos institucionais que só se conseguem em associativismo. O protocolo da AEViVer com a AlMO é uma grande ajuda.

 

Horácio Ferreira, Cervães, empresa CERVACONTAS, Ida (Contabilidade e Auditoria)

1 - Nesta missão a Moçambique celebrei um protocolo  com um dos maiores gabi netes de contabilidade da  quele país, de forma a poder  acompanhar tecnicamente  a instalação e legalização  de empresas portuguesas,  o seu enquadramento e  aconselhamento fiscal, de  gestão, contabilístico e de  reporting. Através deste protocolo a CERVACONTAS apoia na totalidade os empresários portugueses que  querem entrar no mercado  moçambicano, sem necessidade destes se desloca  rem lá. 

2 - São mercados apetecíveis pelas taxas de crescimento que apresentam,  pelas moedas que estão  mais fortes que o Euro e  pelos recursos naturais que  potenciam toda a economia.  A proximidade cultural e linguística facilita muito. 

3 - O concelho que deixo aos empresários portugueses é que pensem nas  vantagens de internacionalizarem as suas empresas,  através do investimento  direto, neste caso em Moçambique.  Primeiro terão de definir uma estratégia de investi mento, escolherem o parceiro certo e conseguirem bons contactos para obter licenciamentos e financiamento. Por último não deixem para amanhã o que podem fazer hoje, cada dia que passa é mais uma oportunidade de negócio que deixa de ser concretizada.

 

Jorge Pinheiro, Soutelo, empresa MEGANOR, IDA (Equipamentos e Produtos Manutenção Auto)

1 - Resultados muito positivos. Formalizamos negócios relacionados com material para instalação de uma fábrica de pneus e muitos contactos de empresas interessadas em vender os nossos produtos que já se estão a traduzir em novas vendas. Mas, acima de tudo, venho de lá com uma visão real do mercado moçambicano, que é um mercado em franco crescimento em vários sectores de atividade. Espero regressar no final deste mês.

2 - Bastante apetecíveis. Pelos recursos naturais que dispõem e pelo desenvolvi mento geral que se adivinha para o futuro desses países. Tudo isso gera mais-valias. As pessoas vivem contentes, consomem bens e ser viços e, com isso, as empresas respiram saúde. O facto de falarem português, de a nossa legislação e cultura serem idênticas, facilita os negócios.

 3 - Identifiquem potenciais parceiros, tentem marcar reuniões de trabalho. Apos tem sempre com segurança, passando pelo aconselha mento e acompanhamento no terreno por parte da AEViVer. Sem esse apoio institucional o trabalho dos empresários é muito mais difícil.

 

 

Apresentação do programa “SIALM - Sistema de Incentivos de Apoio Local a Microempresas”, é um programa integrado que procura estimular a atividade económica produtiva de base regional e local, enquadrado no Programa “Valorizar”, apresentado recentemente pelo Governo Português.

 

Data: 19.03.2013
Hora: 9h30
Local: IEMinho - Soutelo


 

Em conformidade com as disposições legais aplicáveis e os estatutos da AEVIVER, convoco todos os sócios para se reunirem em Assembleia Geral, que terá lugar na Junta de Freguesia da Vila de Prado, sita na Avenida do Cávado, 2/8, na Vila de Prado, pelas 21 horas, do dia 05 de Março de 2013, com a seguinte ordem de trabalhos:

Ponto 1— Apreciaç3o, discussão e deliberação sobre o Relatôrio de Contas de 2012
Ponto 2— Apresentação do SIALM - Sistema de Incentivo e Apoio Local a Microempresas
Ponto 3 — Workshop sobre Internacionalização; Moçambique
Ponto 4 — Conferência BPI — Credito a empresas
Ponto 5 — Outros assuntos.

Os documentos podem ser consultados na sede da AEVIVER ou mediante solicitação por email: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. .
Caso à hora marcada não houver quórum, a Assembleia funcionará meia hora depois, no mesmo local e com a mesma ordem de trabalhos, com qualquer número de sócios presentes, de acordo com as disposições vigentes.

Vila Verde, 15 de Fevereiro de 2013

 

Cópia da convocatória em PDF

 

 

 

 

A Associação Empresarial de Vila Verde tem a honra de convidá-lo(a) a participar na próxima Assembleia Geral.


Ordem de trabalhos;
- Apresentação do Relatório e Contas  de 2012;
- Apresentação de Programas Comunitárias para Micro e PME’s;
- Dr. Paulo Gomes [Mestre em Qualidade, Ambiente e Responsabilidade Social)

- Oferta BPI para PME’s: Empreendedorismo, Comércio, Agricultura e Exportação;
- Dr. Vitor Andrade e Dr. Nuno Sousa (Diretor Regional do SPI)

- Como implementar a sua empresa, parcerias e oportunidades de negócio em Moçambique
- Dr. Manuel Fernandes e Dr. João Cruzeiro (Revisar Oficial de Contas)

Workshop: “Plataformas de Contratação Pública: Vortal e Gatewit”

 

Local: EPATV - Escola Profissional Amar Terra Verde.

 

Data:29 de Janeiro às 21h00